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Último autocarro

sábado, 19 de janeiro de 2008

Consolo, Edvard Munch

Meia-noite. Último autocarro. O gelo paira no ar do breu nocturno, alumiando penitencionsamente cada imundo resto do meu corpo afogado num mar de arrependimento. Último autocarro. Fito trémula minhas mãos queixosas e alheias à necessidade de suportar o estóico castigo que a mim mesma me imponho. Treme igualmente a minha consciência, e por isso me castigo. Último autocarro. Vem aí. Entro? Não, não posso ceder. Mereço sofrer. A purificação dos meus pecados exige que me funda com a noite. Só aí terei paz. Último autocarro. Parou. Entrei.
Para onde vai? Não sei, não interessa. Vou, não vou ficar. Isso basta. Último autocarro. Duas pessoas. Eu e o motorista velho, seco pelo Verão, erodido pelas chuvas invernosas, tal como o autocarro. São um só. Último autocarro e uma pessoa, então. Eu. Só.


Projecto de SMS - Lutas internas

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Saudação

1. Olá!!! (Demasiado entusiasta? Não quero mostrar que mereces o meu entusiasmo...)

2. Olá... (Demasiado frio? Não quero mostrar que sinto a necessidade de fingir indiferença...)
3. Olá. (Poderá ser interpretado como uma fuga às hipóteses 1. e 2. ? Não quero mostrar que pensei no que a pontuação pode revelar-te...)
(Talvez seja melhor não pôr uma saudação...)

Corpo da mensagem
(Afinal, porque te escrevo?)
1. Está tudo bem contigo?/ O que tens feito? (Demasiado de quem não tem mais nada para dizer? Não quero que vejas que só quero mostrar-te que existo. A considerar se conseguir encontrar mais algo para dizer...)
2. Lembrei-me de ti... (Demasiado óbvio que quero dizer Penso em ti ? Não, nem por sombras vou mostrar-te que tens esse impacto em mim...)
3. Nem sabes o que me aconteceu!!! (Poderá revelar-te que tenho de te contar o que se passa na minha vida? Não quero que saibas que a tua presença é importante em tudo o que faço, ou seja, que preciso de ti...)

(Não, não posso dizer-te nenhuma das três... Tenho medo. O que digo então? Não posso escrever-te uma sms a dizer só Adeus. Bjs* ! )

(Mais uma mensagem para os rascunhos...)

(Agora penso... E se eu pudesse? E se não tivesse medo? )

(Olá!!! Desculpa o entusiasmo, mas sabes que não me és indiferente. Está tudo bem contigo? Só quero mostrar-te que existo e que penso em ti. Sim, tens esse impacto. Nem sabes o que me aconteceu!!! Tenho mesmo de te contar, a tua presença é super importante em tudo o que faço. Preciso de ti. Adeus. Bjs*)

(Como seria tão mais fácil...)

 
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